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Problemas do driver GSPCA no Kernel 2.6.27

segunda-feira, outubro 27, 2008

Em 2003, um médico francês chamado Michel Xhaard deu uma webcam para sua filha e percebeu que o Linux não possuía driver para a câmera. Acontece que, como médico, muitos dos diagnósticos do Xhaard eram feitos em cima de interpretação de imagens. Assim, ele tornou-se um especialista em câmeras e resolveu suprir as necessidades do linux, criando drivers para mais de 200 tipos diferentes de câmeras. Foi assim que começou o projeto do driver GSPCA. Hoje em dia, a grande maioria das câmeras utiliza esse driver no Linux.

No ano de 2008, com o objetivo de tornar o uso de webcams no Linux mais automático, o driver GSPCA foi introduzido a árvore principal da versão 2.6.27 do Kernel. Infelizmente, a maioria das webcams utiliza uma compressão ou um formato de vídeo próprio que o driver incluído no Kernel não possui suporte. Por isso, um programador chamado Hans de Goede deu um jeito de contornar o problema. Ele criou uma biblioteca, a libv4l, que faz a ponte entre a compressão que as webcams possuem e o GSPCA incluído no Kernel. Isso significa que, para funcionar bem com o driver GSPCA, o código fonte das aplicações que usam vídeo (Cheese, aMSN, Ekiga, Skype etc) têm que ser modificados para usar a libv4l. Isso está acontecendo, por exemplo, no Fedora 10. O mesmo ainda não está acontecendo, por exemplo, no Ubuntu 8.10 que usa o Kernel 2.6.27. Por isso, no Intrepid, quem possui webcam compatível com o GSPCA não poderá utilizar a webcam com a grande maioria das aplicações. :-O

Felizmente, há um jeito de utilizar a webcam mesmo no Intrepid. Para isso, existe um wrapper (uma especie de tradutor) que deve ser carregado manualmente antes da execução da aplicação. Por exemplo, para utilizar vídeo com o Skype, que tem código fonte fechado e, por tanto, não pode ser feito compatível com a libv4l, execute o comando a seguir.

LD_PRELOAD=/usr/lib/libv4l/v4l1compat.so skype

Para usar uma aplicação diferente, no comando anterior, basta trocar skype pelo executável da aplicação que se deseja utilizar.

Infelizmente, para a minha webcam, mesmo com o wrapper, ainda não estou conseguindo usar vídeo com nenhuma aplicação. Vendo as mensagens do kernel com o dmesg, eu recebo algo como o que segue.

[ 2489.369834] gspca: frame overflow 615378 > 614400
[ 2489.429838] gspca: frame overflow 616402 > 614400
[ 2489.489819] gspca: frame overflow 616402 > 614400
[ 2489.549786] gspca: frame overflow 617426 > 614400
[ 2489.609780] gspca: frame overflow 617426 > 614400
[ 2489.668552] gspca: frame overflow 615378 > 614400

Ainda não consegui entender o problema para tentar soluciona-lo. Alguns dizem para usar a libv4l deste repositório, ao invés da que é encontrada nos repositórios do Intrepid. Fiz isso, mas, mesmo assim, continuo sem webcam. :-( Contudo, isso funcionou para muita gente, como pode ser visto aqui e aqui.

Finalizando, quem usa o kernel 2.6.27 e anda com problemas para usar a webcam, aconselho a visitar está página do Fedora 10 e as threads dos bugs 260918 e 273727 do Intrepid.

Ubuntu 8.10 RC1: Liberado hoje!

quinta-feira, outubro 23, 2008

Acredito que hoje seja o melhor dia para se atualizar o Ubuntu. Afinal, está sendo lançada o “Realease Candidate 1″ da versão 8.10, a Intrepid. Para quem não sabem, o Realease Candidate é a versão que os desenvolvedores já consideram como (quase) finalizada. Alguma modificação será feita apenas se alguém descobrir algum bug de última hora. Se não, a versão RC torna-se definitiva.

A grande vantagem de atualizar o sistema hoje é que, com certeza, os servidores da Canonical estão bem menos congestionados do que no dia do seu lançamento, que será no dia 27 de outubro. Assim, o download deve ser realizado bem mais rapidamente. Evidentemente, qualquer correção de bugs feitas entre o lançamento do RC e a versão final pode ser obtida mais tarde online via update.

Quem quiser testar, basta executar o comando abaixo.

sudo update-manager -d

Ekiga 3.0

sábado, agosto 30, 2008

Screenshot do Ekiga 3.0

O Ekiga 3.0 está quase pronto! Deve ser lançado junto com o Gnome 2.24, em 24 de setembro de 2008. Sempre usei o Ekiga para fazer ligações de longa distância para telefones fixos. É bem mais em conta do que usar as operadoras nacionais. Funcionava muito bem! Até o lançamento do Ubuntu Hardy que adotou o Servidor PulseAudio por padrão. Com isso, algumas aplicações que usam o sistema de som ALSA (como o Ekiga) deixaram de funcionar corretamente. Então, a solução está sendo usar a versão SVN do Ekiga 3.0. A instalação é bastante simples! Existem pacotes disponíveis para as distribuições mais populares. Não é preciso compilar nada! Depois de configurar os repositórios corretamente, basta ir à linha de comando e digitar o que segue.

sudo aptitude install ekiga-snapshot ekiga-snapshot-plugins-all-devices ekiga-snapshot-plugins-non-free-codecs

Se necessário, há um bom tutorial que ensina a configurar a maioria dos aspectos do Ekiga 3.0.

Depois de instalado, fica disponível um ícone do Ekiga e você está pronto para bater-papo por voz e vídeo. Quer dizer… Estaria se mais alguém no mundo usasse o Ekiga. Bom… Pelo menos, muitas vezes é essa a impressão que eu tenho. Uso o Ekiga desde sempre, mas a minha lista de contatos ainda está vazia. Meu catálogo de endereços é composto apenas de telefones fixos.

Onde está a galera do Ekiga? Se você é como eu, um usuário solitário do Ekiga, deixe o seu endereço SIP nos comentários desse tópico para testarmos esse aplicativo. Será mesmo que o Ekiga funciona? Eu bem que gostaria de saber! :-)

Ahh… Quase esqueci! O meu endereço é alexbr@ekiga.net. É mais fácil encontrar-me na rede do Gizmo5 (17476219763@proxy01.sipphone.com).

Você também pode inserir em seu blog um “botão de presença” da rede Ekiga.net, a rede na qual você é registrado quando cria uma conta no Ekiga. Assim, todo mundo saberá o seu status. Para isto, insira o código html que segue.

<script src="http://www.ekiga.net/status/presence.php?user=SEU_LOGIN" type="text/javascript"><!--mce:0--></script>

Evidentemente, no código anterior, você deve trocar “SEU_LOGIN” pelo seu login na rede Ekiga.net. O resultado sera algo como a imagem a seguir.

Apresentando o MLDonkey

domingo, agosto 3, 2008

Em 2001, eu estava morando em Florianópolis-SC. Nesse época, uma colega minha mudou para Manaus-AM e deixou-me o seu computador, um Pentium 133MHz. O computador tinha muito pouco recursos. Então, o que fazer com ele? Resolvi instalar o RedHat 7, pois o computador era lerdo demais até para o Windows 98. Foi assim que eu entrei no mundo GNU/Linux, por causa de um computador velho da minha amiga. :-)

Na mesma época, eu havia entrado recentemente no mundo da internet banda-larga via o plano de 300Kbps da BrasilTelecom e deixava o meu computador ligado muito tempo rodando o eDonkey, um programa peer-to-peer bastante popular naquela época. Assim, pensei em usar o Linux como um cliente peer-to-peer para baixar meus downloads 24h/dia e deixar o meu micro pessoal liberado para tarefas mais nobres. Para isso, o primeiro passo foi instalar um cliente peer-to-peer que fosse leve e pudesse ser controlado remotamente. Foi aí que conheci o MLDonkey.

Para mim, o MLDonkey é o mestre do compartilhamento, pois ele consegue conectar-se a particamente todas as redes peer-to-peer que existem (e as que não existem mais também). A lista de compatibilidade possui protocolos como eDonkey, Overnet, BitTorrent, FastTrack (KaZaA), Kad Network (Kademlia), DirectConnect e Gnutella. Acreditem! Ainda há mais protocolos com os quais o MLDonkey é compatível.

Além de ser multiprotocolo e multiplataforma (GNU/Linux, Windows e MacOS), o MLDonkey tem outras características bem interesssantes. Por exemplo, por padrão, ele é executado como um daemon e pode ser controlado via http, telnet ou através de diversas opções de clientes com interface gráfica. Também, ele tem capacidade para multiplas contas, onde cada usuário enxerga e pode gerenciar os seus próprios downloads. Além disso, é possível conectar-se a mais de um servidor ao mesmo tempo (Que tal conectar-se a 6 ou mais servidores eDonkeys de uma vez?). Hoje em dia, muitos programas peer-to-peer já possuem tais características. Contudo, o MLDonkey já as tem a vários anos.

Um outra característica interessante é a capacidade de executar um script bash logo após a finalização do download (opção file_completed_cmd). Isso permite, por exemplo, que os arquivos baixados sejam distribuídos em pastas em função do seu tipo. Assim, é possível guardar arquivos de música numa pasta, filmes em outras, executáveis em outra etc. Também, ações como, por exemplo, verificar se há vírus no arquivo, enviar um e-mail para o dono do download, também são possíveis. Evidentemente, para isto, é preciso entender um pouco de programação bash para fazer o script.

O MLDonkey também é muito seguro. Ao contrário do aMule, por exemplo, mesmo quando o gerenciamento via http, telnet e GUI estão habilitados, o MLDonkey pode ser controlado apenas localmente (IP 127.0.0.1). Para acessar de outro local, mesmo dentro da sua rede interna, é necessário antes cadastrar o IP ou a faixa de IPs (opção Allowed_ips do arquivo donkey.ini).

Com tantas vantagens, como o MLDonkey não é popular? Sinceramente, não sei. Talvés, seja devido a sua difícil configuração. Hoje em dia, meu MLDonkey está perfeitamente configurado, os arquivos vão chegando e eu apenas faço atualização do software a cada versão. Tudo é muito transparente. Contudo, no início, lembro que tive um pouco de trabalho.

É claro que o MLDonkey não tem apenas vantagens. Algo que faz muita falta nele é a ausência de ofuscação de protocolo, como no aMule, ou criptografia na rede Bitorrent, como no Vuze. Um outro problema é a quantidade de lixo que aparece quando se faz uma busca. Normalmente, ao se fazer uma busca, algo em torno dos 10 primeiros resultados são fakes. Creio que estes sejam gerados por servidores mau-intensionados querendo passar vírus para a turma do Windows. Nunca me preocupei muito com isso, pois os resultados falsos são facilmente identificados. Então, simplesmente, os ignoro.

O MLDonkey já foi acusado também de favorecer os Leechers, por não ter sistema de créditos com o aMule, ou seja, o usuário não precisa estar compartilhando nada e nem ter uma elevada taxa de upload para conseguir fazer os downloads. Sinceramente, não sei até que ponto isso é verdade. Primeiro porque eu sempre tive uma taxa de upload razoável. Também, porque acesso o MLDonkey via o Sancho e este não permite fazer download sem upload. De fato, o Sancho exige uma taxa de upload bem maior do que, por exemplo, o aMule. Contudo, não sei se isso é algo imposto pela GUI Sancho ou pelo MLDonkey em si.

O Sancho é minha GUI para o MLDonkey favorita. Ela é baseada em Java. Por isso, existe uma versão para virtualmente qualquer sistema operacional. Desde Windows até Solaris. Também, há uma versão para Linux compilada com o GCJ e compatível com GTK. De fato, ela integra-se lindamente ao Gnome. Infelizmente, de um tempo para cá, o desenvolvimento do Sancho está lento. A sua última versão foi lançada em meados de 2006. Contudo, não percebo bugs que me incomodem.

Não vou colocar aqui um passo a passo de como instalar o MLDonkey. É necessário baixar a última versão (aqui ou aqui), instalar, fazer um ajuste fino na configuração, tendo cuidado para liberar as portas corretas no firewall. Depois disso, é escolher uma GUI para o gerenciamento e ter paciência. Afinal, no peer-to-peer, paciência é tudo!

Quem tiver dificuldade na instalação ou no gerenciamento do MLDonkey, pode deixar uma mensagem aqui neste tópico. Tentarei sanar todas as dúvida, na medida do possível.

Desabilitando o touchpad automaticamente

domingo, maio 18, 2008

O meu computador principal é um notebook. Estou plenamente satisfeito, mas, até pouco tempo atrás, algo que me tirava do sério era esbarrar no touchpad enquanto eu estava digitando. Isto provocava todos os tipos de inconvenientes. Desde selecionar uma opção por engano, passando por mudar a área de trabalho com o scroll, até fechar a janela do aplicativo por engano. Por isso, resolvi gastar um tempo tentando descobrir como resolver esse problema. Achei uma solução bastante elegante. Que tal desabilitar o touchpad automaticamente sempre que você digitar uma tecla? Melhor ainda se o touchpad voltar a ser ativado automaticamente algum tempo depois que você terminar de digitar, não? Pois bem! Faça o seguinte.

Garantido acesso direto do Network Manager ao Keyring

domingo, março 9, 2008

O Network Manager é o aplicativo que facilita a configuração da rede no Ubuntu e em muitos outros sabores do GNU/Linux. No caso dos notebooks, ele detecta automaticamente as redes sem fio que estão presentes e indaga ao usuário a chave de acesso. Tal chave é salva no gerenciador de senhas Keyring. Assim, na próxima vez que a mesma rede sem fio for detectada, o Network Manager acessa o Keyring para obter a chave. Esse processo depende da intervenção do usuário, pois este deve destravar o Keyring digitando uma senha toda vez após o logon. Este artigo ensina como usar um módulo PAM para automatizar esse processo. Tal módulo passa para o Keyring a mesma senha digitada pelo usuário no GDM, fazendo o Network Manager funcionar de forma transparente para o usuário.

Skype com vídeo de alta resolução

domingo, dezembro 9, 2007

Apesar das minhas restrições com a rede Skype, o cliente Skype para linux atual está muito bom. Encantou ainda mais os meus amigos e usuários do Windows que usam esta plataforma. Então, não tenho outra alternativa a não ser usa-lo para bater-papo com a minha turma. (Caramba! Por que ninguém usa o Ekiga?)

Passeando pela internet, vi uma dica para aumentar a resolução de vídeo do Skype no MacOS. Alguns usuários têm reportado que tal dica também funciona no GNU/Linux e deixa a transmissão de vídeo com resolução de 640×480 pixels e taxa de 25 fps. Isso é quase vídeo com qualidade de DVD. Siga os passos abaixo e veja se funciona com você também.

VoIP na plataforma GNU/Linux

domingo, novembro 18, 2007

Já é possível substituir o telefone pelo PC nas ligações de longa distância. As opções são muitas. Normalmente, o bate-papo por voz podem ser dividido em ligações PC-para-PC e PC-para-telefone. Apenas as ligações PC-para-PC são grátis, enquanto que as ligações PC-para-telefone já podem ser realizadas a um preço muito baixo. Neste artigo, analiso as opções da plataforma GNU/Linux de bate-papo por voz com as redes MSN, Skype e GTalk. Também, mostro que já é possível fazer ligações para telefones fixos no Brasil a um preço de R$ 0,10 por ligação.

Linux: Dicas rápidas

domingo, outubro 14, 2007

Trocar todas as ocorrências da string1 pela string2 em todos os arquivos do diretório corrente e de forma recursiva.

find ./ -type f -exec sed -i 's/string1/string2/g' {} ;

Trocar apenas a primeira ocorrência da string1 pela string2 em todos os arquivos do diretório corrente e de forma recursiva.

find ./ -type f -exec sed -i 's/string1/string2/' {} ;

Apagar, recursivamente, todos os arquivos de nome *.*~ e que estão no corrente diretório. (Útil para apagar arquivos de backup que não são mais necessários.)

find . -type f -name "*.*~" -exec rm {} ;

Procurar dentre todos os arquivos *.php aqueles que contém a palavra user.

find . -type f -iname '*.php' -exec grep -l -i "user" {} ;

Capturar vídeo da webcam com o MPlayer.

mplayer tv:// -tv driver=v4l:width=640:height=480:device=/dev/video0 -vo x11

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Autor

Alex J. Alex França, 36 anos, casado, professor e engenheiro eletricista, Londrina-PR.