Apresentando o MLDonkey

domingo, 03 de agosto de 2008

Em 2001, eu estava morando em Florianópolis-SC. Nesse época, uma colega minha mudou para Manaus-AM e deixou-me o seu computador, um Pentium 133MHz. O computador tinha muito pouco recursos. Então, o que fazer com ele? Resolvi instalar o RedHat 7, pois o computador era lerdo demais até para o Windows 98. Foi assim que eu entrei no mundo GNU/Linux, por causa de um computador velho da minha amiga. :-)

Na mesma época, eu havia entrado recentemente no mundo da internet banda-larga via o plano de 300Kbps da BrasilTelecom e deixava o meu computador ligado muito tempo rodando o eDonkey, um programa peer-to-peer bastante popular naquela época. Assim, pensei em usar o Linux como um cliente peer-to-peer para baixar meus downloads 24h/dia e deixar o meu micro pessoal liberado para tarefas mais nobres. Para isso, o primeiro passo foi instalar um cliente peer-to-peer que fosse leve e pudesse ser controlado remotamente. Foi aí que conheci o MLDonkey.

Para mim, o MLDonkey é o mestre do compartilhamento, pois ele consegue conectar-se a particamente todas as redes peer-to-peer que existem (e as que não existem mais também). A lista de compatibilidade possui protocolos como eDonkey, Overnet, BitTorrent, FastTrack (KaZaA), Kad Network (Kademlia), DirectConnect e Gnutella. Acreditem! Ainda há mais protocolos com os quais o MLDonkey é compatível.

Além de ser multiprotocolo e multiplataforma (GNU/Linux, Windows e MacOS), o MLDonkey tem outras características bem interesssantes. Por exemplo, por padrão, ele é executado como um daemon e pode ser controlado via http, telnet ou através de diversas opções de clientes com interface gráfica. Também, ele tem capacidade para multiplas contas, onde cada usuário enxerga e pode gerenciar os seus próprios downloads. Além disso, é possível conectar-se a mais de um servidor ao mesmo tempo (Que tal conectar-se a 6 ou mais servidores eDonkeys de uma vez?). Hoje em dia, muitos programas peer-to-peer já possuem tais características. Contudo, o MLDonkey já as tem a vários anos.

Um outra característica interessante é a capacidade de executar um script bash logo após a finalização do download (opção file_completed_cmd). Isso permite, por exemplo, que os arquivos baixados sejam distribuídos em pastas em função do seu tipo. Assim, é possível guardar arquivos de música numa pasta, filmes em outras, executáveis em outra etc. Também, ações como, por exemplo, verificar se há vírus no arquivo, enviar um e-mail para o dono do download, também são possíveis. Evidentemente, para isto, é preciso entender um pouco de programação bash para fazer o script.

O MLDonkey também é muito seguro. Ao contrário do aMule, por exemplo, mesmo quando o gerenciamento via http, telnet e GUI estão habilitados, o MLDonkey pode ser controlado apenas localmente (IP 127.0.0.1). Para acessar de outro local, mesmo dentro da sua rede interna, é necessário antes cadastrar o IP ou a faixa de IPs (opção Allowed_ips do arquivo donkey.ini).

Com tantas vantagens, como o MLDonkey não é popular? Sinceramente, não sei. Talvés, seja devido a sua difícil configuração. Hoje em dia, meu MLDonkey está perfeitamente configurado, os arquivos vão chegando e eu apenas faço atualização do software a cada versão. Tudo é muito transparente. Contudo, no início, lembro que tive um pouco de trabalho.

É claro que o MLDonkey não tem apenas vantagens. Algo que faz muita falta nele é a ausência de ofuscação de protocolo, como no aMule, ou criptografia na rede Bitorrent, como no Vuze. Um outro problema é a quantidade de lixo que aparece quando se faz uma busca. Normalmente, ao se fazer uma busca, algo em torno dos 10 primeiros resultados são fakes. Creio que estes sejam gerados por servidores mau-intensionados querendo passar vírus para a turma do Windows. Nunca me preocupei muito com isso, pois os resultados falsos são facilmente identificados. Então, simplesmente, os ignoro.

O MLDonkey já foi acusado também de favorecer os Leechers, por não ter sistema de créditos com o aMule, ou seja, o usuário não precisa estar compartilhando nada e nem ter uma elevada taxa de upload para conseguir fazer os downloads. Sinceramente, não sei até que ponto isso é verdade. Primeiro porque eu sempre tive uma taxa de upload razoável. Também, porque acesso o MLDonkey via o Sancho e este não permite fazer download sem upload. De fato, o Sancho exige uma taxa de upload bem maior do que, por exemplo, o aMule. Contudo, não sei se isso é algo imposto pela GUI Sancho ou pelo MLDonkey em si.

O Sancho é minha GUI para o MLDonkey favorita. Ela é baseada em Java. Por isso, existe uma versão para virtualmente qualquer sistema operacional. Desde Windows até Solaris. Também, há uma versão para Linux compilada com o GCJ e compatível com GTK. De fato, ela integra-se lindamente ao Gnome. Infelizmente, de um tempo para cá, o desenvolvimento do Sancho está lento. A sua última versão foi lançada em meados de 2006. Contudo, não percebo bugs que me incomodem.

Não vou colocar aqui um passo a passo de como instalar o MLDonkey. É necessário baixar a última versão (aqui ou aqui), instalar, fazer um ajuste fino na configuração, tendo cuidado para liberar as portas corretas no firewall. Depois disso, é escolher uma GUI para o gerenciamento e ter paciência. Afinal, no peer-to-peer, paciência é tudo!

Quem tiver dificuldade na instalação ou no gerenciamento do MLDonkey, pode deixar uma mensagem aqui neste tópico. Tentarei sanar todas as dúvida, na medida do possível.

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7 Comentários para “Apresentando o MLDonkey”

  1. Marcio-Torres disse:

    Legal gostei das informações, realmente existem diversos softwares que não usamos por não conhece-los…
    Parabéns….

  2. Djavan Fagundes disse:

    Bacana, não conhecia, irei testar…

  3. Daniel disse:

    Já estou fazendo o download. Valeu cara

  4. Carlos disse:

    eu já tentei utilizar e não obtive sucesso…

    [noflames]
    prefiro o amule
    [/noflames]

  5. Alex disse:

    Usei o amule um tempo por conta da ofuscação de protocolo. Não vi nenhum ganho de performance por conta dessa opção. (Acho que meu provedor já deu um jeito de livrar-se da ofuscação do emule/amule.) Daí… Como achei a GUI do amule muito tosca, acabei voltando pro MLDonkey. O Sancho é bem melhor, com muitos mais recursos… sei lá.. Gosto mais.

    Procurei muito uma GUI melhor para o amule, mas não achei. Parece que só há a GUI padrão. Se souber de uma outra, por favor, nos indique.

  6. Tiago Bugarin disse:

    Uso o mlDonkey desde 2002 num iMac G4. Inicialmente pegava um pacote compilado por algum alemão (que nunca retornou nenhum contato meu). Em 2005 o cara sumiu e depois de algum tempo achei uma outra galera compilando para Macintosh mas ainda em 2005 essa galera também parou de distribuir os pacotes binários daí passei a eu mesmo compilar o bichano.
    Dois dias de experiências com linhas de configuração pra conseguir o que eu queria: um binário leve, rápido e somente com suporte às redes p2p que eu usava e o suporte a download ftp/http.
    Ao contrário do autor e dos comentários acima nunca me dei bem com nenhuma GUI para o mlDonkey e me acostumei a usar telnet e a interface web. Até porque sou acostumado a gerenciá-lo remotamente por SSH, tunelando a porta web do mldonkey.

    Nos últimos tempos deixei de usá-lo por estar mais em casa e usando quase exclusivamente o protocolo bittorrent.

    Parabéns pelo artigo.

  7. User links about "mldonkey" on iLinkShare disse:

    [...] | user-saved public links | iLinkShare 1 votesApresentando o MLDonkey>> saved by shealo 2 days ago1 votesMldonkey - Cliente Emule com interface WEB>> saved by tai234 4 [...]

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Autor

Alex J. Alex França, 36 anos, casado, professor e engenheiro eletricista, Londrina-PR.